18/12/2010

Em 19 de agosto de 2004. E hoje.

A noite cai lenta por trás da janela rasgada
Onde , pendurados estão os retalhos de uma veste suja
A janela quase nua abre espaço a retomada
Que diz a escuridão para que surja
No escuro, sonhos vão fugindo camuflados
Onde medo, ganância e luxúria
Numa única peça vão sendo tecidos
Em passados e futuros e presentes.
É que na luxúria vivem prazeres
Escondidos por vergonha e renascidos
Sonhados mil vezes e mil vezes esquecidos
É que na noite a realidade vira pesadelo
Ferido, ardido e aflito
Tantos medos revividos e tantos , partidos.
É que na noite os amores não doem
São vivos, são amantes
São tantos amando e poucos insones  

13/12/2010

no dia 16 de dezembro de 2002



Um corpo jogado ri
Desviando o olhar funesto, direto
Procurando um encontro fusco
Jogado por ali, noutro corpo perto
Um corpo dançador esquiva-se
Pernoita fugindo do corpo que ri
E após noites e noites de esquivo
Reencontra o olhar funesto
Jogado direto por um corpo perto
Daquele corpo morto risonho
Inveterado sucesso de tantos
Esquivos inúteis contra um olhar funesto
Que enfim conseguiu dançar com o corpo dançador
Cansado de tanto dançar a esquiva
Cansaço que lhe causou a dor
Açoitada pelo olhar funesto que viajou
Dando voltas junto com os passos do esquivador
Que por ter sido morto por aquele corpo ali
É mais um corpo jogado que ri
Um estático corpo risonho dançador...